Opinião
Inflação da carochinha
Na época dos governos militares (1964 a 1984), desconfiava-se que alguém manipulava os índices da inflação. Como manda quem pode e obedece quem tem juízo, todo mundo levava a sério tais índices, calculados por institutos sérios, como o IBGE.
Passados trinta anos, com essa plena conquista de democracia, não desconfiamos mais que os índices de inflação sejam manipulados. Temos certeza.
Não dá para acreditar que os aumentos sejam no máximo de 6% ao ano. Nem que a cesta básica apregoada pelo governo tem seus preços reduzidos. Se bem que a cesta do governo não inclui papel higiênico, creme dental ou sabonete. Ou seja - o governo nos considera todos porquinhos.
A dona de casa, que precisa ir ao supermercado, sabe bem a quantas anda a inflação. A remarcação de preços, antes feita com aquela terrivel maquininha, agora é feita na surdina, alterando-se os valores nos computadores centrais dos mercados.
Não bastasse isso, tornaram-se comuns as reclamações sobre diferenças de preços entre o que está anunciado na gôndola e o que é cobrado no caixa. A culpa, como sempre, é do sistema, nunca do gerente ou patrão.
Época de mentiras
Está para começar mais uma temporada de mentiras, promessas e falatórios - sim, no dia 19 começa o horário eleitoral gratuito, aquele onde todos os candidatos resolvem nossos problemas e queixas.
Excetuando os folclóricos de sempre, que aparecem com o claro propósito de fazer nome e daqui a dois anos disputar uma eleição municipal, constata-se que pouco ou nada mudou de uma eleição para outra.
O que muda em todas as eleições é a qualidade dos candidatos - cada vez pior. Pode ser preconceito, ou o que quiserem dizer, mas é preciso que o Tribunal Superior Eleitoral exija um mínimo de conhecimentos de quem se propõe a ocupar um cargo público de tanta importância como na Câmara dos Deputados ou nas assembléias estaduais. Para as câmaras municipais, a exigência poderia ser menor, dado o alcance de duvidosas propostas de alguns vereadores.
Nosso país é estranho nessa questão: exige qualificação do eleitor, não do candidato. Já tivemos um cacique Juruna como deputado federal, e hoje temos seu equivalente, o Tiririca. Proliferam candidaturas de jogadores de futebol, cantores e outros artistas - temos até um candidato que é ator de filme pornô. Esse talvez seja o indicado para a casa da mãe joana que é o governo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário