Dobra o custo. De onde sai o dinheiro?
Campanha política não é barata. Neste ano, os candidatos à Presidência deverão gastar um bilhão de reais - o dôbro gasto na eleição de 2010. Parte do dinheiro vem de doações, parte dos próprios partidos - que mamam no Fundo Partidário - e outra do bolso dos próprios candidatos.
Campanha não é só palanque ou programa de TV. Os partidos investem até em especialistas em moda para apresentar seus candidatos como manda o figurino. Pagam cursos de oratória, ensinam (ou adestram) seus candidatos para que o desempenho convença o eleitor.
Dilma Roussef estimou que sua campanha para reeleição custe R$ 298 milhões - em 2010 foram gastos para sua eleição R$ 135 milhões. Oficialmente.
Todos os candidatos precisam declarar ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral o patrimônio que possuem e quanto estimam gastar - uma espécie de limite, o que significa que podem não gastar tudo o que foi previsto.
Essas informações são públicas, e estão disponíveis no site do TSE para quem quiser ver.
Dos candidatos locais o que tem maior patrimônio é o ex-prefeito Miguel Haddad: R$ 11 milhões e uns quebrados nem tão quebrados. Mas em sua declaração de bens está a metade de um terreno na Praça Rui Barbosa 45, no Centro. É onde estava o antigo quartel da 2ª Cia. de Comunicações, e que hoje é estacionamento. O terreno foi declarado ao TSE como valendo R$ 40 mil, quando, na realidade, vale alguns milhões.
Na declaração do candidato Toninho do Diabo consta sua participação como dono de 90% da escola de samba Império Vale do Sol, avaliada em R$ 20 mil. O atual deputado federal Luiz Fernando Machado, que agora é candidato a deputado estadual, declarou que não pretende gastar nada em sua campanha. Outros candidatos, como o médico e vereador Antonio de Pádua Pacheco, pretende gastar até R$ 3 mil. Outro, Paulo Malerba, declarou que pode chegar aos R$ 5 milhões. E um outro, o professor Everton, declarou limite de gastos de R$ 4 milhões, e patrimônio zero.
Cláudio Miranda limitou seu gasto em R$ 3 milhões. Júnior Aprillanti em R$ 5 milhões, e Val Freitas, R$ 91 mil.
Campanhas mudam de perfil
Foi-se o tempo em que uma campanha eleitoral tinha a receita pronta: palanque pra comício, um show de artista famoso para atrair o povo, farta distribuição de camisetas, chaveiros e outros brindes e muito papel.
Hoje tudo é estudado por gente treinada para isso. O marqueteiro é quem, de fato, manda - e ganha muito. Outros profissionais não ficam atrás na questão de salários, principalmente agora que o show está proibido, dar brinde mais ainda - os candidatos precisarão usar a Internet e as mídias impressa e eletrônica para mandar seu recado. E além de tudo há o terrorismo eletrônico nas redes sociais principalmente. “A guerrilha digital requer um amplo e treinado exército e isso custa caro”, afirma o tesoureiro do PSDB, deputado Rodrigo Castro. Jovens com habilidade nas redes sociais estão sendo recrutados pelas campanhas por R$ 2 mil por mês em média. “Os mais baratos têm como missão apenas replicar mensagens, apoiar e comentar conteúdos”, diz um cacique petista. Quem tem formação política é escalado para rebater críticas e opinar em fóruns e blogs especializados, o que rende mensalmente R$ 4 mil”. E sabe quantos jovens estão nessas condições? Mais de sessenta mil.
De acordo com os tesoureiros de campanhas, boa parte do dinheiro previsto para ser gasto nas campanhas será reservada para o horário eleitoral gratuito de rádio e tevê que irá ao ar a partir de 19 de agosto.
Durante a discussão da fracassada proposta de reforma política que pregava o financiamento público de campanha, a consultoria legislativa da Câmara fez estudo que já detectava a hiperinflação eleitoral. De acordo com a pesquisadora Ana Luiza Backes, nem mesmo alterações nas leis que proibiram showmícios, outdoors e distribuição de brindes funcionaram para baratear as campanhas. “Eleições tão onerosas ameaçam a representatividade dos eleitos, diminuindo a representação dos setores mais pobres”, critica. Nos últimos dez anos, o custo das campanhas cresceu 473%, enquanto a inflação, nesse mesmo tempo, foi de 78%.
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